Onde foi que eu errei como pai e mãe?

Após o filho começar a andar e falar você se dá conta de que os primeiros meses de vida não foram nem de longe os mais difíceis.

 

Quando começam a se tornarem independentes, é que você percebe que num piscar de olhos a vida do seu filho pode estar em perigo e começam aí os momentos de tensão que vão se arrastar por muitos e muitos anos até eles crescerem e virarem adultos.

 

Duramente a vida vai testar você em cada fase do seu filho e você se perguntará: -Onde foi que eu errei?

 

Quando seu filho voltar da escolinha com um bilhete de que mordeu um coleguinha e você nunca ensinou aquilo pra ele você vai se perguntar: -Onde foi que eu errei?

 

Quando seu filho de repente xingar um amigo ou um irmão utilizando um termo que você nunca ouviu ou comentou dentro de casa você vai se perguntar: -Onde foi que eu errei?

 

Assim que nos primeiros passeios no Shopping após um dia divertido e aparentemente normal, a criança fizer birra porque quer um brinquedo que viu na vitrine e te deixar sem jeito na frente de todos, você pensará: -Onde foi que eu errei?

 

E quando seu filho comentar na rua sobre alguma característica física de alguém em voz alta e te deixar com a cara no chão e com vontade de sair dali por teletransporte, você falará pra você:  -Onde foi que eu errei?

Muito disso tem a ver com as influências atuais de televisão, internet e todo o tipo de informação que não deveria ter chegado até seu filho e que muitas vezes não conseguimos medir o tipo de conteúdo e até mesmo bloquear caso não seja adequado para a idade. Com isso nossas crianças são bombardeadas todos os dias com todo o tipo de conteúdo e isso vai moldando de alguma forma alguns comportamento das crianças como falar gírias de um Youtuber famoso ou cantar aquela música que tem letra adulta mas que pela melodia acaba atraindo os ouvindo dos pimpolhos.

 

A verdade é que nenhum pai ou mãe estarão prontos para lidar com todas as situações inusitadas que acontecerão no desenvolvimento do seu filho através de um processo normal de socialização e aprendizado através de sentimentos, emoções e erros ao experimentarem situações novas.

O que percebemos é que quem normalmente quem critica pais e mães ainda não tiveram oportunidades de experimentar essa vida maluca, maravilhosa e frustrante ao mesmo tempo que é ter filhos.

 

Quem não lembra daquele amigo ou amiga que comentou: -“Ahhh se fosse meu filho não faria isso…”, e anos depois você percebe que a paternidade e a maternidade se encarregam de mostrar que SIMMM!!! seu filho fez e fará tudo que você falou que não faria.

 

Apesar de sabermos logicamente como agir em determinadas situações, quando o afeto e o amor está envolvido, o raciocínio lógico se perde em não saber exatamente como lidar com situações adversas quando o ator envolvido é seu filho.

 

A minha experiência com duas filhas, uma de quatro anos e outra de nove anos é que nós poderíamos sim ter sido melhores em determinadas situações, mas a vida não teria graça se existisse um manual de instruções para determinar como deveríamos agir e o que deveríamos falar para nossos filhos quando eles nos colocassem em saia-justa.

 

 

Por isso, continue se perguntando: -Onde foi que eu errei? Porque essa com certeza é uma das atitudes mais dignas de um ser humano, que é sabermos olhar para dentro e nos perguntarmos onde podemos melhorar e como podemos nos melhorarmos como pais. A vida é feita de aprendizados mesmo e não se sinta um pai e mãe ruins por seu filho de vez em quando se comportar de maneira diferente do esperado por você, continue sendo o melhor do mundo para seus filhos e lembre-se sempre que um dia todos nós fomos crianças e também demos muito trabalho para os nossos pais.

 

 

Será que ser mãe é tão mais difícil do que ser pai

Historicamente nós tentamos entender as relações familiares e em cada época essas relações vão se renovando, mas umas delas é tão intensa que parece transcender o nosso conhecimento, que é o amor de uma mãe pelos seus filhos.

Mas será que ser mãe é tão mais difícil do que ser pai?

Maternidade X Sociedade

Para entendermos melhor essa questão, nem precisamos voltar muito no tempo, pois a mãe na sociedade também tem o papel de mulher e sabemos que as mulheres ainda não conseguiram ocupar seu espaço de forma igual aos homens. Mas o que isso tem a ver com maternidade? A relação é de que se os homens tem mais espaço terem maiores salários, melhores cargos em empresas, não são cobrados sobre doenças dos filhos, não se sentem responsáveis por se preocuparem se as roupas das crianças ainda servem, faz com que os pais tenham um papel mais externo à família.

A mãe por sua vez, é cobrada desde o momento de uma entrevista de emprego quando perguntam quantos filhos ela tem para ser questionada como irá conciliar o trabalho com os filhos.

Ser mãe é deixar de viver como um único ser e passar a viver em conexão eterna e dependente com outro ser.

Ser mãe é ter que ficar pulando de emprego em emprego porque os filhos por algo que quase mágico, começam a adoecer semanas seguidas e é só melhorar que está pronto para uma nova fase difícil.

Já ser pai é não ser questionado por não ir ao médico com o filho porque tem um compromisso no trabalho.

Porque é sempre tão difícil mudar esse cenário?

Precisamos sair muito pra fora da caixa para tentarmos entender um pouco o mundo das mães, isso mesmo, eu disse tentarmos entender, porque saber exatamente o que acontece nunca saberemos como pais.

Pelo amor de Deus mãe que está aí agora querendo julgar com todas as forças os pais dos seus filhos, você pode ter certeza que a maior parcela de culpa não é somente dele, existe um fator cultural enraizado muito forte que mesmo que tenhamos tentado dividir toda a carga da mãe, não nos deixam exercer totalmente nosso papel de indivíduos que devem dividir a vida profissional com a vida dos filhos.

É um trabalho de formiguinha mesmo, e nós pais temos que buscar absorver mais da carga emocional que a mãe carrega, desde se preocupar com cada detalhe da casa, até se sentir culpada pelo fato de o filho ter que ficar no integral da escola para que ela possa trabalhar.

Não acredito em fórmula mágica, mas a certeza que tenho é que nós pais não temos ideia do que é ser mãe e estamos longe de sabermos de fato como funciona essa complexa relação com os filhos.

Mas então porque será que ser mãe é tão mais difícil que ser pai? Acredito que seja porque as nossas réguas de medida são muito diferentes. Basta olhar para a mulher para seu lado e ver quanta cobrança ela recebe, e quando algo não sai como planejado, adivinha quem leva a culpa? Para nós, homens, ser um bom pai está atrelado a muito pouco, muito menos do que o mínimo, na maioria das vezes.

Nunca saberemos o peso que elas carregam, é muito cômodo para nós homens sermos chamados de paizões por fazermos nem metade de nossas obrigações, mas se alguém pode mudar esse cenário, nós fazemos parte dessa luta.

Como? Em primeiro lugar olhando para si mesmo, com coragem e sem máscaras, conversando com sua parceira, assumindo cada vez mais responsabilidades, não deixando nossas parceiras levarem toda essa carga, trazendo assuntos paternos para lugares antes não visitados e mais, não exaltando pai que não faz mais que a obrigação, cobrando dos nossos amigos pais, os apoiando e pegando para nós a responsabilidade de mostrarmos também aos outros que mais que genitores, somos responsáveis por vidas que se formam, e agirmos como tais.