O que eu vi da vida quando virei pai

É um pouco difícil descrever em palavras a emoção que é virar pai, mesmo que não seja pela primeira vez. O fato é que sendo a primeira vez ou não, aquele momento sempre será único e mágico.

 

O que posso garantir é que diferentemente da mãe que percebe que será mãe nos primeiros momentos da gravidez, para o pai parece que esse momento só acontece de verdade quando aquele ser surge como aquele presente que você sempre sonhou em ganhar e alguém de repente decide te presentear fazendo aquela surpresa.

 

Parece que num estalar de dedos acendeu algo dentro de mim e a partir dali aquela vida vivida seria encerrada como num caderno de escola que só serve para aquele ano e no próximo ano tudo recomeçava com um outro caderno novinho e que dava até orgulho de abrir e escrever de forma d

evagar e caprichada.

 

Mas e o que mudou desde esse momento mágico que foi ter visto aquela coisa pequena pela primeira vez sem ser naqueles monitores da ultrassonografia com imagem preto e branco e tudo borrado? Também não é fácil descrever o que mudou, mas tenho uma certeza: Nunca mais as coisas foram as mesmas e talvez esse seja o grande sentido da vida, servir à outras pessoas e ajudar na caminhada dos novos seres que habitam a terra chamados de filhos.

 

Aquela minha vida que parecia ter total controle, passou a ser um grande desafio onde dormir e acordar em horários específicos não era mais uma escolha minha. Comer com calma e apreciar o que eu gostava já não era mais algo possível, comer era algo quase impossível, pois eu comer ou não comer no horário certo ou comer de pé ou sentado não deveria mais ser um problema já que o bebê não podia esperar e parecia que ele fazia os próprios horários, sendo que a cada dia os horários eram diferentes e aleatórios.

 

Mas e daí se eu não tinha mais o tempo de antes, aquele prazer de conviver com o novo membro da família apagava todos os problemas.

 

Mudar o foco era preciso, uma vez que até então as maiores preocupações eram bater as metas no trabalho e entregar os trabalhos da faculdade e conseguir fazer um TCC de qualidade. Todas as preocupações anteriores continuariam, mas aparecia ali uma questão nova que se tornaria prioridade.

 

Mas e daí se eu não tinha mais o mesmo foco na carreira e no trabalho, aquele novo foco me deixava o homem mais feliz do mundo.

 

Com o tempo muita coisa vai mudando e uma das primeiras mudanças é saber que ser pai não tem nada a ver com levar dinheiro e leite para casa. Não há nenhum valor monetário que pague a presença de um pai. Se sua família estiver bem e isso dependerá de quão forte os laços afetivos estiverem, o dinheiro será apenas um complemento e não uma necessidade em primeiro plano.

Chegar em casa não tem mais relação com descansar, mas e daí se quando chego em casa as crian

ças se jogam em cima de mim a ponto de cairmos todos no chão e darmos boas gargalhadas e ali iniciar-se outras brincadeiras como cavalinho, pega-pega, cócegas e aqueles abraços apertados.

 

Se eu pudesse voltar no tempo teria feito tudo igual novamente, não mudaria nada, porque tudo tinha que ser como foi e parece que tudo aquilo estava escrito para ser do jeitinho que foi. Depois de um tempo você pensa: -Não sei como seria minha vida sem minha filha aqui, parece que ela sempre esteve conosco a vida toda. Fico imaginando o que é o sentimento das mães com os filhos que parece ser algo que não é desse planeta, se eu sentir 1% do que as mães sentem pelos seus filhos, já sou o homem mais feliz do mundo.

 

Se pudesse dar um conselho sobre o que vivi depois que fui pai: -Não espere ter aquela carreira profissional dos sonhos, nem fazer aquela faculdade que você acredita que vai te dar um futuro melhor, o trabalho e os estudos nunca te darão 1% do prazer e satisfação pessoal que é ser pai e só quem é pai vai entender o que estou falando, pois por melhor que seja o trabalho e os estudos que você tiver, sempre você chegará nos momentos de insatisfação ou desmotivação, mas com seus filhos você nunca pensará em desistir e eles te farão um profissional melhor e mais feliz porque você fará o melhor por eles e não mais por você.

Como falar de política com crianças?

É muito comum hoje em dias as crianças quererem se envolver nas conversas de adultos, diferente de nós que quando éramos “pequenos”, não gostávamos da vida dos adultos, mas felizmente ou infelizmente as crianças mudaram.

 

Os tempos da nossa política não são os melhores, os noticiários não param de falar nas crises, não somente econômica, mas principalmente política que vem nos deixando com um pouco de esperança de mudanças e ao mesmo tempo descrentes de um futuro promissor.

 

Aí que vem a dúvida: como explicar para as crianças tudo que está acontecendo e como ajudá-las a compreender a complexidade da política para que mais tarde sejam elas a mudança que esperamos? Calma, não precisamos nos desesperamos com isso!

 

Buscando especialistas, foi possível entender que o mais indicado é não forçar as crianças a saberem os conceitos e os reais motivos para tudo que está acontecendo nem sequer explicar porque Fulano ou Ciclano foram presos. Espere os questionamentos e tente explicar com naturalidade e de forma imparcial, pois tentar enfiar na cabeça da criança que o candidato X não presta ou que não gosta do Y é como estar doutrinando as crianças e acreditarem numa verdade que elas não conseguem ainda compreender. Então tente ser imparcial ao falar de um problema político.

 

As crianças quando começam a perguntar sobre tudo, tendem a questionar qualquer coisa que soa diferente, como o que é presidente da república, o que é congresso, impeachment, etc. Para não frustrar elas, o legal é tentar associar os conceitos da política com a realidade das crianças, como associar o congresso como a mesa de jantar onde os pais discutem a rotina da casa e tomam decisões sobre o futuro da família e o presidente da república são os pais e mães que precisam cuidar das coisas para que tudo funcione conforme o esperado, assim elas vão tendo a noção de que tudo não passa de uma divisão de responsabilidades e que a política faz parte de nosso cotidiano.

 

Lembrando que política e religião são assuntos difíceis de discutir em um ambiente onde pessoas divergem as ideias, para as crianças é importante a construção da opinião e não a imposição da sua visão para que mais tarde elas sejam capazes de opinar e buscar conhecimento aprofundado para decidir o futuro da política.

 

Por serem sempre ligadas nas conversas de adultos, é importante, ao estar em uma roda de amigos ou da família, saber ponderar o vocabulário e o tom da discussão quando as opiniões divergirem para que na cabeça da criança uma conversa política não seja sempre uma guerra como vemos muito nos dias de hoje principalmente nas redes sociais onde as pessoas se atacam de forma exagerada e não possuem mais discernimento para conversar de forma pacífica e aos poucos elas podem ir quebrando esse paradigma de que política e religião não se discute, muito pelo contrário, é através das discussões que chegamos nas melhores soluções para um bem comum.

 

Existem algumas iniciativas de tentar traduzir para a linguagem infantil a nossa história política como o exemplo do livro “Quem manda aqui?” que posse ser baixado no link: //livroquemmandaaqui.wordpress.com/ e retrata um pouco da nossa trajetória política de uma maneira lúdica e leve para que a cabeça das crianças não fica mais confusa.

 

E você já se deparou com uma pergunta das crianças sobre política? Como foi?

Será que ser mãe é tão mais difícil do que ser pai

Historicamente nós tentamos entender as relações familiares e em cada época essas relações vão se renovando, mas umas delas é tão intensa que parece transcender o nosso conhecimento, que é o amor de uma mãe pelos seus filhos.

Mas será que ser mãe é tão mais difícil do que ser pai?

Maternidade X Sociedade

Para entendermos melhor essa questão, nem precisamos voltar muito no tempo, pois a mãe na sociedade também tem o papel de mulher e sabemos que as mulheres ainda não conseguiram ocupar seu espaço de forma igual aos homens. Mas o que isso tem a ver com maternidade? A relação é de que se os homens tem mais espaço terem maiores salários, melhores cargos em empresas, não são cobrados sobre doenças dos filhos, não se sentem responsáveis por se preocuparem se as roupas das crianças ainda servem, faz com que os pais tenham um papel mais externo à família.

A mãe por sua vez, é cobrada desde o momento de uma entrevista de emprego quando perguntam quantos filhos ela tem para ser questionada como irá conciliar o trabalho com os filhos.

Ser mãe é deixar de viver como um único ser e passar a viver em conexão eterna e dependente com outro ser.

Ser mãe é ter que ficar pulando de emprego em emprego porque os filhos por algo que quase mágico, começam a adoecer semanas seguidas e é só melhorar que está pronto para uma nova fase difícil.

Já ser pai é não ser questionado por não ir ao médico com o filho porque tem um compromisso no trabalho.

Porque é sempre tão difícil mudar esse cenário?

Precisamos sair muito pra fora da caixa para tentarmos entender um pouco o mundo das mães, isso mesmo, eu disse tentarmos entender, porque saber exatamente o que acontece nunca saberemos como pais.

Pelo amor de Deus mãe que está aí agora querendo julgar com todas as forças os pais dos seus filhos, você pode ter certeza que a maior parcela de culpa não é somente dele, existe um fator cultural enraizado muito forte que mesmo que tenhamos tentado dividir toda a carga da mãe, não nos deixam exercer totalmente nosso papel de indivíduos que devem dividir a vida profissional com a vida dos filhos.

É um trabalho de formiguinha mesmo, e nós pais temos que buscar absorver mais da carga emocional que a mãe carrega, desde se preocupar com cada detalhe da casa, até se sentir culpada pelo fato de o filho ter que ficar no integral da escola para que ela possa trabalhar.

Não acredito em fórmula mágica, mas a certeza que tenho é que nós pais não temos ideia do que é ser mãe e estamos longe de sabermos de fato como funciona essa complexa relação com os filhos.

Mas então porque será que ser mãe é tão mais difícil que ser pai? Acredito que seja porque as nossas réguas de medida são muito diferentes. Basta olhar para a mulher para seu lado e ver quanta cobrança ela recebe, e quando algo não sai como planejado, adivinha quem leva a culpa? Para nós, homens, ser um bom pai está atrelado a muito pouco, muito menos do que o mínimo, na maioria das vezes.

Nunca saberemos o peso que elas carregam, é muito cômodo para nós homens sermos chamados de paizões por fazermos nem metade de nossas obrigações, mas se alguém pode mudar esse cenário, nós fazemos parte dessa luta.

Como? Em primeiro lugar olhando para si mesmo, com coragem e sem máscaras, conversando com sua parceira, assumindo cada vez mais responsabilidades, não deixando nossas parceiras levarem toda essa carga, trazendo assuntos paternos para lugares antes não visitados e mais, não exaltando pai que não faz mais que a obrigação, cobrando dos nossos amigos pais, os apoiando e pegando para nós a responsabilidade de mostrarmos também aos outros que mais que genitores, somos responsáveis por vidas que se formam, e agirmos como tais.